Minha História com a Fotografia Sensual Masculina

Ensaio Sensual,Sobre Mim

Esse ano de 2025 estou oficialmente retornando com a fotografia. Esse site que você está visitando é relativamente novo, pois foi esse ano que senti o chamado para voltar a fotografar. Mas a verdade é que minha jornada com a fotografia começou muito antes, e hoje quero compartilhar essa história com você.

O Primeiro Contato: Amor à Primeira Vista

Meu primeiro contato com a fotografia aconteceu por volta de 2012, quando eu estava estudando Comunicação Visual. Uma das matérias do curso era Processos Fotográficos, e foi encanto à primeira vista.

A sensação de segurar uma câmera profissional nas mãos pela primeira vez foi indescritível. Havia algo de mágico naquilo – o peso da câmera, o som do obturador, a possibilidade de congelar momentos e criar imagens que contavam histórias.

Assim que concluí o curso, já me matriculei no curso de fotografia que a mesma instituição oferecia. Foi ali que tive um contato mais aprofundado com técnicas fotográficas, estúdio, direção, edição e todos os aspectos mais importantes do ofício. Cada aula era uma descoberta, cada técnica aprendida abria novas possibilidades criativas.

Descobrindo Meu Caminho: Retratos e Identidade

Entre 2014 e 2015, comecei a querer colocar em prática o que havia aprendido. Percebia que eu tinha uma atração muito forte por fotografia de retratos. Havia algo fascinante em capturar a essência de uma pessoa, em revelar camadas que muitas vezes nem ela mesma conhecia.

Mas um outro ponto também influenciou profundamente minhas escolhas: minha sexualidade.

Sempre fui gay. No passado já passei por muitos problemas e questões internas em relação a isso – desde uma forte repressão da família na minha infância até uma dificuldade muito forte em me aceitar e me assumir como sou. Apesar dessa dificuldade, sempre foi muito claro para mim o que eu sou e o que eu gosto.

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E acabei encontrando na fotografia um espaço não só para me expressar em relação a isso, como também para me compreender. A câmera se tornou minha ferramenta de autodescoberta e aceitação.

Os Primeiros Ensaios: Ousadia e Descoberta

Comecei a chamar homens que eu conhecia para posar para um ensaio fotográfico sensual. É claro que nem todos aceitavam, mas a quantidade de homens que aceitaram foi bem maior do que eu imaginava que conseguiria.

De início, essa prática estava muito mais associada à diversão e ousadia para mim. Mas em camadas mais profundas, hoje também percebo que era um espaço que eu encontrava para finalmente ter contato mais próximo e íntimo com a figura masculina que tanto me encantava.

Era arte, era expressão, era aceitação. Era eu me permitindo existir plenamente.

Uma Gratidão Especial: Guilherme Ferreora

E aqui quero deixar um agradecimento muito grande ao Guilherme Ferreira, um querido amigo que foi fundamental nessa minha jornada.

Lá no início da minha jornada pelos ensaios sensuais masculinos, ele foi um dos primeiros amigos que toparam ser modelo para minhas ideias ousadas.

O Primeiro Ensaio de Todos

O primeiro ensaio aconteceu no meu próprio quarto. Foi um misto de adrenalina e novidade. Não sei se transpareci para o Guilherme o nervosismo que eu estava sentindo, mas o resultado ficou muito interessante.

Havia algo de vulnerável naquele momento – tanto da minha parte quanto da dele. Ali estava eu, recém-saído dos cursos, com equipamento básico, tentando criar algo significativo. E ali estava ele, confiando em mim, se permitindo ser fotografado de forma sensual.

Os Ensaios Seguintes: Evolução e Naturalidade

Não contente, em momentos futuros chamei o Guilherme para ensaios sensuais masculinos mais vezes, e ele sempre aceitava.

Em 2014 fizemos um ensaio que aconteceu na casa do próprio Guilherme. Nesse momento, eu já havia fotografado outros homens, e aquilo já era uma experiência natural e normal para mim. Não houve nervosismo. Pelo contrário, houve o puro fluxo da arte, da criatividade, e de ideias que iam brotando durante o ensaio.

A diferença entre o primeiro e esse ensaio era gritante. Eu havia evoluído tecnicamente, mas mais importante que isso: eu havia evoluído emocionalmente. Estava mais confortável comigo mesmo, com minha arte, com o que eu queria expressar.

Alguns meses depois, Guilherme e eu repetimos a experiência, tendo dessa vez como locação um sítio no interior de SP. Confira as fotos aqui.

Por Que Estou Destacando o Guilherme

Estou colocando um certo foco no Guilherme aqui por pura gratidão. Ele ter aceitado posar para mim no passado foi um grande passo inicial e incentivo que eu precisava.

Quando você está começando algo novo – especialmente algo que questiona normas sociais e toca em aspectos vulneráveis da sua identidade – ter alguém que confia em você e te apoia faz toda a diferença.

O Guilherme não apenas posou. Ele acreditou na minha visão quando eu mesmo ainda estava descobrindo qual era essa visão. Ele me ajudou a construir confiança no meu trabalho. Ele foi parte essencial da fundação do que eu viria a me tornar como fotógrafo.

Construindo Um Portfólio e Uma Identidade

No decorrer dos anos, de 2013 até 2021, dediquei-me exclusivamente à fotografia. E cerca de 85% dos ensaios fotográficos que realizei foram do nicho de ensaio sensual masculino.

Esse foco não foi planejado inicialmente. Foi acontecendo naturalmente, porque era onde minha paixão e propósito se encontravam.

O Projeto Sereno Fotografia

Cheguei a construir um projeto autoral de ensaio sensual masculino chamado Sereno Fotografia. A ideia do nome se dava pelo fato de a maioria dos meus ensaios trazerem um ar de serenidade nas fotos e nos modelos.

A proposta era, apesar de ser um ensaio sensual, normalizar a beleza do corpo masculino. Não queria criar algo vulgar ou estereotipado (Apesar de ter realizado alguns ensaios eróticos no meio dessa caminhada). Queria criar arte. Queria celebrar a forma masculina da mesma maneira que a forma feminina é celebrada em toda parte.

Hoje, olhando para trás, percebo que esse movimento todo talvez tenha acontecido, mesmo que de forma subconsciente, como uma forma para eu questionar todas as repressões que sofri no passado por conta da minha sexualidade.

Era minha maneira de dizer: “Isso que me ensinaram a esconder, a ter vergonha, eu vou celebrar. Vou transformar em arte. Vou mostrar que é belo.”

Enfrentando Resistências e Questionando Normas

Sim, a presença de corpos masculinos despidos causava desconforto em muitas pessoas. Muitos colegas meus da época não gostavam do meu trabalho. Outros consideravam desconcertante ou até mesmo ofensivo.

Em tempos passados, ainda em meu processo de amadurecimento, minha contra argumentação na época era: “Se o corpo feminino pode ser tão bem ressaltado na TV, revistas, novelas, comerciais (principalmente os de cerveja), cinema, etc… Por que o masculino não poderia ser? Se ninguem me perguntava se eu me incomodava em ser exposto a tantos corpos femininos, por que não posso expor também os masculinos?”

Alguns de vocês podem me julgar ao ler essas frases acima, mas ressalto que era a mentalidade que eu tinha em 2014, mais de dez anos atrás. Hoje, um pouquinho mais amadurecido, ainda mantenho em camadas mais íntimas do meu ser, um pensamento ainda semelhante… mas com algumas camadas a mais de profundidade e reflexão.

Hoje, minha forma de pensar gira em torno de que a beleza masculina deve sim ser celebrada também. Por que os corpos masculinos não podem se expor? Que vergonha é essa? Que desconforto é esse? Por que um gênero é normalizado e o outro não? Por que um homem não pode celebrar sua beleza? E por que não podemos celebrar e admirar a beleza de um homem?

Será que tudo isso ainda é reflexo do patriarcado de nossa sociedade? Reflexo do machismo estruturado, onde está tudo bem admirar uma mulher, mas é vergonhoso admirar um homem? Pensando em tudo isso, no passado criei sim meu projeto de ensaios autorais masculinos, e sinto hoje o chamado para continuar esse trabalho.

O Poder Transformador da Fotografia

E o ponto mágico: com o passar dos anos, esse projeto foi ganhando novas proporções.

Muitos homens me descobriam no Google e entravam em contato interessados em se verem em um ensaio fotográfico sensual. Eu fotografei todos os tipos de homens. Magrinhos, gordinhos, mais novos, mais velhos, altos, baixos – todos.

Fui pedindo depoimentos deles para postar, e tinha depoimentos muito emocionantes!

Revelando Inseguranças Masculinas

Fui percebendo o poder que a fotografia estava tendo para a autoestima desses homens.

Achamos que apenas mulheres sofrem com questões de autoestima. Meu projeto acabou revelando questões aparentemente escondidas em nossa sociedade: homens também podem ter inseguranças com seus corpos.

Diversos fatores podem causar inseguranças: calvície, gordurinhas localizadas, pelos, estatura, entre diversos outros fatores. Coisas que a sociedade ensina os homens a não falarem abertamente, a guardarem para si.

E praticamente todos os homens que eu fotografei relataram que o ensaio lhes permitiu se enxergarem de outra forma.

O Poder do Olhar Externo

Aqui eu destaco como o olhar de outra pessoa pode ser poderoso, nos fazendo enxergar como somos vistos por outra pessoa.

Muitas vezes, ao nos vermos no espelho, somos viciados a procurar nossos “defeitos”. Temos um olhar condicionado, crítico, muitas vezes cruel com nós mesmos. São poucas as pessoas que buscam olhar primeiro suas qualidades. Há quem nem enxergue qualidades em si mesmo!

E a fotografia tem esse poder de mostrar para a pessoa como outra pessoa – no caso, o fotógrafo – a enxerga.

Quando eu fotografava esses homens, eu estava genuinamente capturando o que eu via de bonito neles. E quando eles viam as fotos, muitas vezes ficavam surpresos. “Sou eu mesmo?”, muitos perguntavam. “Eu fico assim?”

Sim. Era exatamente assim que eu os via. E através das fotos, eles finalmente conseguiam ver em si mesmos o que eu enxergava.

Lições Que a Fotografia Me Ensinou

Sou grato por ser fotógrafo, pois além de ter uma profissão muito gostosa e divertida, essa profissão já me proporcionou lições valiosíssimas.

Aprendi sobre vulnerabilidade – tanto a minha quanto a dos meus modelos. Aprendi sobre confiança – a que eles depositam em mim ao se despirem (literal e figurativamente) diante da câmera. Aprendi sobre beleza – que ela existe em todos os corpos, todas as idades, todas as formas.

Aprendi sobre aceitação – não apenas aceitar os outros, mas aceitar a mim mesmo. Cada ensaio era, de certa forma, uma afirmação: “Eu posso existir. Meu olhar é válido. Minha arte importa.”

E talvez a lição mais bonita: aprendi sobre o poder transformador da arte. Vi homens chegarem inseguros, cabisbaixos, quase pedindo desculpas por seus corpos, e saírem radiantes, confiantes, caminhando com a cabeça erguida.

Isso não tem preço. Isso vale mais que qualquer valor que eu possa cobrar por um ensaio.

A Pausa e o Recomeço

Durante a pandemia, fiz uma pausa na fotografia e encerrei o projeto Sereno Fotografia. Me arrependo de não ter renovado a hospedagem e o domínio do site que eu tinha! Tanto trabalho, tantas histórias, tantas fotos incríveis… perdidas no tempo digital.

Mas talvez essa pausa tenha sido necessária. Um respiro. Um momento para processar tudo que eu havia vivido e aprendido através da fotografia e também me dedicar à outros setores da minha vida.

E agora, em 2025, estou recomeçando. Com esse novo site, com novas perspectivas, mas com a mesma essência. A mesma paixão por retratos. A mesma vontade de usar a fotografia como ferramenta de transformação – tanto para mim quanto para quem eu fotografo.

O Que Permanece

Algumas coisas mudaram nesses anos todos. Meu equipamento melhorou. Minhas técnicas se refinaram. Minha compreensão sobre luz, composição e direção se aprofundou.

Mas o núcleo permanece o mesmo: quero usar minha câmera para celebrar a beleza que vejo nos outros. Quero criar espaços seguros onde pessoas possam se expressar, se descobrir, se aceitar.

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Quero continuar fazendo ensaios sensuais masculinos que empoderem homens e questionem normas sociais. Mas também quero expandir – fotografar casais, fotografar artistas, fotografar profissionais, fotografar qualquer pessoa que queira ser vista e celebrada.

Um Convite

Se você chegou até aqui nessa história, obrigado por dedicar seu tempo para conhecer um pouco da minha jornada.

E se algo ressoou com você – se você se identificou com as questões de aceitação, se você também tem inseguranças com seu corpo, se você simplesmente quer experimentar ser fotografado de forma que celebre quem você é – eu estaria honrado em fotografar você.

Cada ensaio que faço não é apenas trabalho. É continuação dessa história que comecei lá em 2012. É mais um capítulo nessa jornada de usar a arte para transformar vidas – incluindo a minha própria.

Entre em contato e vamos criar algo bonito juntos.

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